19.10.05

'cause we're making history.

e se não bastasse este cinzeiro, o mesmo que você me deu de presente sem nenhuma data em especial, agora cheio de bitucas, quase um maço inteiro de marlboro light e hollywood mentolado, sobre uma nota pouco gasta de vinte reais recebida de troco de um cartão pré-pago de celular, eu te liguei, e ouvir sua voz era como tomar uma ducha quente de manhã quando o frio parece que vai te quebrar os ossos, e sua voz dizendo que odeia mnhas comparações clichês era como o gás acabando de repente, e eu só queria ter tempo, porque o tempo era nosso, sempre foi, e não será mais, porque você não quer, o tempo agora é seu, e seu sem mim, e já não há mais aquele instante poético e vertical do bachelard, e se já não bastasse tudo isso, esse pretérito perfeito imperfeito, ainda me acabam os cigarros.

17.10.05

definição negativa.

me diz o que é que falta, aquilo que não se escreve em ímãs de geladeira, porque ontem mesmo a gente tinha tudo, a gente era tudo, ímã e cinema, como um filme sem fim definido, sem gênero definido, e de repente esse gancho pra um final mal resolvido, quando não se sabe se vai ou não haver continuação, e justo a gente que odeia trilogias, porque as seqüências nunca têm a magia do primeiro filme, da primeira cena, você de faixa na cabeça, eu de cabelo despenteado - e embora isso tenha mudado muito, mudou pouco, você entende.

10.10.05

sobre a tatty ou ocaso de inverno.

o céu alaranjado riscado de sol distante no horizonte, ofuscando a vista da menina cuja altivez não se esgotava mesmo com todos os buracos na calçada e lanhos no meio-fio. ela, que seguia, deteve-se a contemplar. seu esplendor desperto com o fulgor obstinado do sol, como imagem e reflexo prestes a se encontrar na superfície. ela era a protagonista; ele tanto sabia que se pôs, resignado.