epílogo.
lembra quando eu escrevi que antes o tempo era nosso e que o tempo agora é seu? pois é, parece que eu adivinhei. vou levantar meu cartaz "EU JÁ SABIA" e me afogar nessa cama que também já foi nossa e que agora é minha e só minha.e eu não sei se é a diferença de idade, ou melhor, se é a tão falada "maturidade", mas o fato é que eu não vejo as coisas tão complicadas como você as apresenta, eu te amo, você me ama, e isso é simples, porra!, complicadas são as pessoas, e elas estavam em um patamar tão abaixo do nosso, né? nós descemos, caímos das nuvens em que caminhávamos felizes como em um conto de fadas, e eu nunca havia encontrado alguém em quem eu podia confiar tanto a minha felicidade, porque você nunca me deu um motivo sequer pra chorar ou ao menos fechar a cara ao seu lado, você, sempre tão positiva e otimista, eu, o obscuro e pessimista, um triste por natureza, cético. a gente se completava e isso não era um clichê, apenas era, sem porquê. e agora nós descemos das nuvens, saímos daquele estado de ilusão, e isso nunca me pareceu ruim, porque você ainda estava ao meu lado e me dava força, levantava meu astral. o erro todo foi meu, afinal, satisfeito e conformado, fechei os olhos e não percebi que você também precisa de força, de alguém pra levantar o seu astral, e agora que você cansou de esperar por uma atitude minha talvez vá procurar essa mão em outra pessoa, uma dessas que estava em um patamar abaixo do nosso, mas que agora está no mesmo nível porque nós descemos, você sabe, e vai tentar voltar àquele estágio em que só cabíamos nós, em que só nós poderíamos estar.

