4.11.05

epílogo.

lembra quando eu escrevi que antes o tempo era nosso e que o tempo agora é seu? pois é, parece que eu adivinhei. vou levantar meu cartaz "EU JÁ SABIA" e me afogar nessa cama que também já foi nossa e que agora é minha e só minha.e eu não sei se é a diferença de idade, ou melhor, se é a tão falada "maturidade", mas o fato é que eu não vejo as coisas tão complicadas como você as apresenta, eu te amo, você me ama, e isso é simples, porra!, complicadas são as pessoas, e elas estavam em um patamar tão abaixo do nosso, né? nós descemos, caímos das nuvens em que caminhávamos felizes como em um conto de fadas, e eu nunca havia encontrado alguém em quem eu podia confiar tanto a minha felicidade, porque você nunca me deu um motivo sequer pra chorar ou ao menos fechar a cara ao seu lado, você, sempre tão positiva e otimista, eu, o obscuro e pessimista, um triste por natureza, cético. a gente se completava e isso não era um clichê, apenas era, sem porquê. e agora nós descemos das nuvens, saímos daquele estado de ilusão, e isso nunca me pareceu ruim, porque você ainda estava ao meu lado e me dava força, levantava meu astral. o erro todo foi meu, afinal, satisfeito e conformado, fechei os olhos e não percebi que você também precisa de força, de alguém pra levantar o seu astral, e agora que você cansou de esperar por uma atitude minha talvez vá procurar essa mão em outra pessoa, uma dessas que estava em um patamar abaixo do nosso, mas que agora está no mesmo nível porque nós descemos, você sabe, e vai tentar voltar àquele estágio em que só cabíamos nós, em que só nós poderíamos estar.

19.10.05

'cause we're making history.

e se não bastasse este cinzeiro, o mesmo que você me deu de presente sem nenhuma data em especial, agora cheio de bitucas, quase um maço inteiro de marlboro light e hollywood mentolado, sobre uma nota pouco gasta de vinte reais recebida de troco de um cartão pré-pago de celular, eu te liguei, e ouvir sua voz era como tomar uma ducha quente de manhã quando o frio parece que vai te quebrar os ossos, e sua voz dizendo que odeia mnhas comparações clichês era como o gás acabando de repente, e eu só queria ter tempo, porque o tempo era nosso, sempre foi, e não será mais, porque você não quer, o tempo agora é seu, e seu sem mim, e já não há mais aquele instante poético e vertical do bachelard, e se já não bastasse tudo isso, esse pretérito perfeito imperfeito, ainda me acabam os cigarros.

17.10.05

definição negativa.

me diz o que é que falta, aquilo que não se escreve em ímãs de geladeira, porque ontem mesmo a gente tinha tudo, a gente era tudo, ímã e cinema, como um filme sem fim definido, sem gênero definido, e de repente esse gancho pra um final mal resolvido, quando não se sabe se vai ou não haver continuação, e justo a gente que odeia trilogias, porque as seqüências nunca têm a magia do primeiro filme, da primeira cena, você de faixa na cabeça, eu de cabelo despenteado - e embora isso tenha mudado muito, mudou pouco, você entende.